Chalé de Éolo ୭

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Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Jenna Pretz Lightwood em Seg 23 Dez 2013 - 21:26


Os dias eram corridos e minha paciência uma massa em ebulições constantes. Meu temperamento, vazio e aborrecido. Agora eu tinha um pai de sangue, um estranho em minha vida; enquanto na verdade meu pai estava em Nova Orleans, bebendo cerveja barata para esquecer as lembranças da mãe. Ah, a mãe. Nunca tivera o real prazer de sua companhia. Levantei-me e lavei o rosto. A água provocou um torpor agradável, gelada e fluída. Deitei e dormi. E atiçando as próprias ideias esperei que as bolhas negras explodissem. Fumaça-à-fumaça; os sonhos puseram-se em minha mente.

Sempre tive desejos muito trágicos, uma estranha paixão por acontecimentos fúnebres, e todos os segredos do óbito. Creio que essa é uma boa sentença para se iniciar uma carta de suicídio. Apesar de crer que a minha morte não fará diferença alguma, sempre resta certa esperança de que se possa deixar saudade. Uma busca, um questionamento, um momento de tristeza, uma lembrança boa, outra ruim, uma pontinha de saudade, e a certeza de um fim. Mas no fim, que é o que mais importa agora, nada importa de fato. Todas essas questões são apenas paradigmas que sempre são esquecidos. A hora do esquecimento sempre chega, e não tarda.

Não era para ser assim. Não era para ludibriar. Não era, nem mesmo, para haver palavras. Era apenas para ser um fim, seco e trágico, como a morte deve ser. Mas foi assim, repleto de palavras. Cheio de uma angustia sufocante e vazia. Não foi como imaginei, confesso. Ansiei por tempos esse dia, e aqui estou: enchendo uma folha de papel com palavras que não fazem sentido algum.

O que deveria por aqui? Essas são minhas últimas palavras? Ah, é, não se sabe. Talvez, se a morte for o fim, mas se for apenas uma sequência, talvez não. Então, faremos assim, a morte é o fim. Mas ainda não sei escrever. Deveria pedir perdão a quem amei? Mas quem amei? Quem me amou? Não sei. Não sei se há alguém para preencher essas linhas. Há muito espaço entre as entrelinhas.

Não pedirei perdão a quem amei, porque não amei. Não fui amada, não devo desculpas. E queimo as explicações. Estou cansada, e desejo por um fim, até mesmo nessa carta, inacabada como está. Sem as devidas palavras, sem explicações dadas. Eu estou indo em busca do fim que eu sempre aguardei. E esse é o fim do eu, que pela primeira vez apareceu nessa carta ilusória de um fim que não foi digno de um começo.

Despida de vontade saltei do parapeito. Acordara com os olhos inchados e saí dali. O dia recomeçaria de novo.    
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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Jenna Pretz Lightwood em Dom 19 Jan 2014 - 15:50



Pela primeira vez eu parara para pensar no quão desagradável era estar ali sem fazer absolutamente nada. Passara a noite revirando minhas coisas atrás das fotos com minha família e meus amigos, numa tentativa desesperada de me emaranhar ao passado, ter um refúgio e me sentir menos neutra naquela situação toda. Sentei-me no chão e olhei de forma prostrante para uma das fotos do meu aniversário de dez anos. Bem antes daquela história toda de meio sangue. Me lamentei baixinho contendo a frustração e empilhei todas as fotos guardando-as novamente entre as minhas roupas comuns.

Me levantei meio área e me apoiei na cama, pensando em alguma coisa que me motivasse a fazer o que quer que fosse; sentindo os longos fios loiros caírem deliberadamente pelo meu rosto. Já estava pegando ódio daquele monte de cabelos quando só mantivera-os longos até o busto. Tornei a revirar minhas coisas, ignorando os outros que entravam e saíam do chalé até finalmente encontrar uma tesoura. Acoplei-me à um canto distante e fiquei imaginando por onde começaria. Resolvi parar de enrolar antes que desistisse e comecei a repicar as pontas meio retraída, tentando não extrapolar.

Não sei quanto tempo fiquei ali, repicando os fios aos desfies e desgarros até finalmente me dar por satisfeita e tê-los completamente curtos, pouco abaixo dos outros. Balancei-os com um sorriso pobre nos lábios e limpei a bagunça toda antes que viessem me encher como sempre. Quando terminei tudo ali saí do chalé e fui dar um passeio por aí.
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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Jenna Pretz Lightwood em Seg 17 Fev 2014 - 19:12



Levantar nem era o mais difícil. Já o abrir das cortinas me estremecia os dedos. Não importa como chamem, adjetivo nenhum vai ser concreto o suficiente para os meus olhos, é preciso ser totalmente inócuo para tentar explicar o extremo cansaço. Mas eu imagino que você prefira a descrição, que isso talvez materialize a sensação; a torne mais real. Pois bem. É vazia. Os músculos entram em estado de letargia extrema, ao mesmo tempo a circulação é retilínea, ainda se vive, se sente, se entende. Mas isso não te torna mais capaz de agir. Ou vai ver eu sinto demais, e mesmo querendo sentir de menos, abrir as cortinas continuaria sendo a coisa mais complicada de todos os meus dias.

O ponteiro do relógio está girando. Tic Tac. E você sabe que a cada novo girar pelos números, mais tempo lhe é roubado. Tem consciência de que serão menos minutos com quem ama, com quem odeia, com quem ainda pretende odiar. Menos juventude no coração... Um passo a mais dado em direção à morte. Só não sabe, porém, porque tememos esse passar tão indesejado de segundos. É essa imagem do fim. “Como será que vou morrer?”, você se pergunta. “Será que é hoje?”. Pode ter certeza de que ninguém iria querer uma resposta para isso. Temos medo de morrer porque lá nos recantos de nosso ser nos perguntamos se realmente existe um final. O que de fato nos amedronta não é morrer em si, e sim o que vem depois disso. Se, depois da vida, há coisas piores do que o mundo em que vivemos. Eu já tinha parado de me arrastar no tempo, ou pelo menos era isso em que gostava de pensar. São os momentos massacrantes do dia que me transportam novamente ao desperdício de tempo e ao mesmo tempo à seu consumo desenfreado. Acho que não existe meio termo seguro quando se trata de momentos. E o meu momento agora era aquele, mais um dia sentada no chalé, me antecipando em quase tudo que precisava ser feito numa tentava desesperada de incutir vontade e trabalho dentro do mesmo recipiente. Me deparando com o estresse rotineiro de sempre. Depois de fantasiar muito saí do chalé,desesperada como sempre.
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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Jenna Pretz Lightwood em Sab 15 Mar 2014 - 13:25


Hm. É. Eu estava ali tinha quanto tempo mesmo? Nem lembrava. Mas era fato concreto que eles deveriam me querer longe dali. Eu era um peso nas costas daquela gente; habituados a vários treinos estranhos e eu ali, sem a menor vontade de viver, acho que posso chamar isso de depressão. Acordei totalmente extenuada naquele dia, viver no meio do mato me deixava ainda mais sonolenta. O arquiteto daquele acampamento era um idiota, prédios de concreto são bem mais dinâmicos que barracos de madeira. O melhor mesmo era ir dar uma volta, não aguentaria passar mais um único segundo vendo o entra-e-saí dos meus pseudo-primos e irmãos me olhando com aquela cara de desdém, gente irritante. Saí dali o mais rápido que consegui e me deixei embalar pelo ritmo automático de meus passos, só parei quando passei despercebida pelo estábulo. Aquele era o único lugar que eu gostava de passar meu tempo, andei em direção a uma das baias e fiquei observando um dos pegasus, movi a mão lentamente antes de tentar afaga-lo e sorri tímida quando vi que o toque fora bem recebido. Fiquei completamente entretida com o momento, e nem sequer me dei conta que alguém se aproximara, me virei mais por susto da quebra repentina do silêncio que pelo medo de ser advertida, ou qualquer coisa do tipo. Mantive a minha expressão dramática e mordi os lábios, ainda pensando no que falar. Como não encontrei uma única palavra para enquadrar a situação simplesmente escolhi manter o silêncio e retornei a passos largos e rápidos para o Chalé do meu pai.
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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Pandora K. L'Angelier em Ter 8 Abr 2014 - 8:28


Miss Intelligence,
just follow your instincts and be happy, darling

Mal havia amanhecido e lá estava eu, de pé em frente ao espelho do banheiro do chalé 22 olhando o reflexo bagunçado e desgrenhado dos meus cabelos, respirei fundo passando os dedos entre as madeixas para desembaraçá-las. Inclinei o corpo em direção a pia jogando a água gelada no rosto, quando voltei à visão para o espelho meus olhos se arregalaram. — Uma espinha? — Gritei e pude ouvir um riso vindo da direção da porta, era Grabrielly, que ria da minha cara, tipo literalmente. Respirei fundo e bati a porta na cara da minha meia irmã irritante, entrando para um banho rápido já que faltava pouco menos de trinta minutos para começar a servir o café da manhã no Pavilhão Refeitório.

Dez minutos depois estava vestida com o uniforme limpo do acampamento, sim, já estava acostumada a usar aquele laranja berrante, puxei da cabeceira da cama meus óculos, sim era uma arma, mas também eram estilosos. Não demorei muito para sair do chalé, minha barriga reclamava como se pudesse dialogar comigo sobre como estava com fome. — Calma lombrigas, já irei alimentar vocês. — Brinquei, desatando a rir em seguida. Notei o olhar de reprovação de alguns irmãos e dei de ombros, logo me retirando do chalé.

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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Gabby Hoff. Fitzgerald em Sex 20 Jun 2014 - 19:44




Um dia extremamente cansativo, admito que já estava totalmente morta quando cheguei ao meu chalé. Alguns campistas conversavam mas eu não queria saber de nada ou ninguém. Meus pés doíam, minhas mãos doíam, minha cabeça então nem se fala. Eu só sabia da dor, muita dor em todo o corpo e muito cansaço. me joguei sobre a cama, sem me dar ao trabalho de mudar de roupa ou puxar as cobertas. Movi os pés da maneira que conseguir tirar os tênis e então fechei os olhos, me deixando adormecer finalmente.


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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Gabby Hoff. Fitzgerald em Dom 2 Nov 2014 - 11:50




Volto para o Chalé depois de um dia extremamente cansativo, admito que já estava totalmente morta. Ignorei todos os campistas e meio irmãos que estavam no lugar e apenas me joguei sobre a cama que me pertencia. Tirei os tênis, usando os pés para isso, e fiquei ali olhando o nada sem prestar atenção nenhuma até que o sono fosse mais forte e eu enfim adormecesse.


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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Gabby Hoff. Fitzgerald em Ter 13 Jan 2015 - 21:02


Acordei com o som de algo caindo, naquela manhã. Levantei o rosto do travesseiro e abri os olhos lentamente, procurando o autor do barulho; porém, tudo que eu via eram meus cabelos caindo em cascatas por sobre meus olhos. Afastei-os com a mão, soltando um longo bocejo no processo. Com calma, virei-me na cama e sentei-me, esfregando os olhos. Pela janela eu podia ver o sol erguendo-se tão preguiçosamente quanto eu, dando às nuvens cinzentas um brilho prateado. Suspirei pesadamente, olhando o chalé de uma ponta a outra. Estava tudo como tinha que estar: Jeremy roncava, abraçado ao seu pinguim de pelúcia; as armas estavam jogadas em um canto; as janelas e portas estavam abertas e os mascotes estavam todos, sem exceção, na rua. Passei os dedos pelos cabelos, desfazendo alguns nós que teimavam em enrolar os fios em uma massaroca sem fim. Quando finalmente convenci-me de que o barulho era coisa da minha cabeça, deitei e voltei a dormir.
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Re: Chalé de Éolo ୭

Mensagem por Pandora K. L'Angelier em Sab 7 Fev 2015 - 13:09

Limpei a baba que escorria em meu queixo. Quando havia dormido e por que diabos eu havia babado? Não sabia. Tudo o que sabia era que meu estômago roncava constantemente, com fome. Fui até o banheiro do chalé e lavei o rosto, escovando os dentes em seguida. Depois, troquei de roupa, tirando o pijama e colocando a farda do acampamento juntamente de um short. Tomaria banho depois. Praticamente correndo, saí em direção ao refeitório. 
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