Fogueira

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Fogueira

Mensagem por Flynn Ehlers Sieghart em Sab 1 Fev 2014 - 18:03

Relembrando a primeira mensagem :


burn, baby, burn I
Coloquei minha jaqueta negra, que era a minha capa de invisibilidade, sobre o meu pulôver felpudo acinzentado. Usava uma calça jeans grossa para me aquecer e luvas escuras.  — Vou indo na frente, ok? — murmurei pras minhas irmãs que ficaram até tarde entretidas em um mapa de estratégias e acabaram se atrasando para se arrumar. Ao abrir a porta que dava acesso ao chalé da prole da Deusa da sabedoria, senti o vento gelado tocar as maças do meu rosto e aquela sensação cortante que o inverno trazia ao se encontrar em nossa pele exposta. — Humpf... — bufei ao enfiar minhas mãos no bolso da calça. Participar da fogueira em uma noite de inverno era algo não muito agradável.

Caminhei em direção ao centro ômega enquanto meu pé esmagava os restos dos montinhos de neve que se acumulavam ocasionalmente aqui e ali, mas graças aos deuses hoje não estava nevando. Pude ouvir o som dos instrumentos dos sátiros e as melodias tocadas por filhos de Apolo assim que iniciei minha caminhada. A canção foi soando mais alta e dominante quando já era possível ver os campistas, e todos os demais participantes, aninhados e distribuídos próximos ao fogo que crepitava. A chama era clara e tranquila, o que demonstrava uma atmosfera de pacificidade daqueles que ali permaneciam.      
— Eaí, tudo bem? — cumprimentei com um sorriso discreto um sátiro que viera apertar minha mão de forma exaltada. Não era capaz de esconder que eu não estava me sentindo confortável com aquela música e as conversas animadas, permanecia preocupado devido a visita que Hera me fizera e somente havia contado para meus irmãos sobre aquilo. Abaixei-me e encostei os quadris no solo gelado. Pousei os olhos sobre o sátiro que com o som do sopro em sua flauta, fazia alguns botões florais surgirem entre a neve que se depositava aos seus pés.

Não visualizei campistas que eu costumava conversar, ainda era cedo e deveriam estar todos preguiçosos com a temperatura baixa. Sentia-me aflito e confuso nos últimos dias, minhas variações de humor se tornavam cada vez mais constante, o que me trazia grandes dúvidas do significado delas. — Ahhn... — suspirei baixinho e notei uma pequena parte da fogueira adquirir uma tonalidade mais escura por um instante e retornar a sua cor de fogo claro.  
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Re: Fogueira

Mensagem por Alexis Carozella Kozloski em Qua 7 Jan 2015 - 2:03

“— Vamos, Astrid! Corre! — Era uma garotinha pequena que estava tentando atravessar uma ponte que balançava de um lado para o outro. Embaixo da ponte, um precipício que não tinha fim. Era completamente escuro, breu total. Do outro lado, sua mãe a chamava com os braços estendidos. — Continua. São só alguns passos. — A mulher dizia com a voz firme, o olhar dócil tentava encorajar a filha, que segurava o “corrimão” da ponte com toda a força possível. Eu podia vê-la perfeitamente, já que estava ao seu lado. Os olhos azuis elétricos não demonstravam medo, mas cautela. As mãos, por mais trêmulas que estivessem, apertava o que era sua segurança no momento. Os pés pequenos estavam descalços. Eu não sabia porque ela estava descalça. A menina dos cabelos loiros e lábios avermelhados olhava para o céu como se buscasse algum auxílio. — É agora.—Ouvi-a sussurrar com sua voz infantil. Ela era tão linda que parecia um anjo. Queria abraça-la, mas não conseguia mover um músculo sequer. Só me mantinha observando-a, como se cada ação sua fosse interessante. Assim que a menina deu o primeiro passo, olhou para o lado da mãe e lhe lançou um sorriso doce, sincero. Do outro lado a mãe retribuiu, mas o sorriso dela foi interrompido por um par de mãos que tamparam a boca da mulher. A menina escancarou os olhos e sua primeira reação foi gritar. — Mamãe! — No instante seguinte a mãe estava sendo arrastada pelo dono das mãos. A figura era alta e forte, mas não tinha rosto. A menina gritou outra vez e se colocou a correr. Pena que não saiu do lugar. Ela tentava, usava toda força muscular que possuía nas pernas, mas não conseguia. E quanto mais tentava, pior ficava. Estava impotente, e esse era o pior pesadelo da menina.”

Abri os olhos de uma só vez, erguendo o tronco da beliche no mesmo instante e olhando para os lados. Nada de nada. Não havia mulher, menina ou homem sem rosto. Tinha sido apenas um pesadelo onde minha mãe era levada de mim outra vez. Senti uma única e solitária gota de suor escorrer pela minha testa, limpando-a com o indicador direito. Só um pesadelo. Obrigava-me a repetir o karma. Eles tinham ficado para cuidar dela na minha ausência, nada aconteceria. Ele prometeu. Por mais desnaturado que fosse, meu pai prometeu cuidar dela. Pelo menos uma promessa ele era capaz de cumprir, assim eu esperava. Olhei novamente para os lados para só então notar qe o chalé estava vazio. O chalé 1 não era dos mais cheios, mas ainda assim era estranho não ver Melanie ou Sky por ali. Bem, as duas tinham seu jeito de se distrair. Eu também. Não sabia que horas eram, mas não deveria estar tarde demais, caso contrário cada um estaria em sua cama. Com essa ideia, levantei da minha cama, calcei um tênis surrado qualquer, peguei um suéter e enrolei na cintura só para o caso de sentir frio. Apanhei ainda meu saco de jujubas que eu deixava escondido dentro da mochila sob a cama e saí do chalé. 

É, absolutamente não estava tarde. Meus olhos captaram alguns campistas indo e vindo, mas a maioria estava indo para um ponto fixo. Eu sabia onde era e do que se tratava. Alguns passos e lá estava eu, na fogueira. Já tinha um engraçadinho contando alguma piada sem graça, provavelmente um dos filhos de Hermes. Eles tinham um senso de humor interessante, no mínimo. Rodeei os orbes pelos rostos e encontrei minha irmã ao longe, acompanhada de outros dois filhos de Hades. Apenas acenei para a garota, que, como sempre, não fez muita questão de me cumprimentar. Eu sabia que mais tarde ela pediria desculpas por ser grossa. Dei de ombros e procurei um lugar qualquer para sentar, não tão perto e nem tão longe da fogueira.  — Hey, Astrid! — Era Joe, que estava há dois lugares de distância de mim. Joe era um dos filhos de Ares que não cortavam minha paciência por completo. Ele era até legal. Ergui a mão em um aceno também, apontando minha boca cheia de jujubas como um motivo para não falar nada. Comer jujubas era sempre melhor do que falar. Sentada em uma espécie de tronco sobre as pernas em forma de borboleta, levei outra jujuba à boca e continuei saboreando o doce. Fitei o fogo com o cenho levemente franzido, tentando distinguir a cor que ele tinha enquanto as pessoas conversavam à minha volta. Tudo o que eu queria saber era qual o significado que o sonho teria dessa vez. Eu temia a resposta. Ah, sim, eu temia. 
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Re: Fogueira

Mensagem por Adam Harris Treadwell em Qua 7 Jan 2015 - 2:34

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Eu só sabia que teríamos uma fogueira porque os campistas do chalé de Hermes não conseguiam falar de qualquer outra coisa além disso. Eu ainda tinha a esperança de poder cochilar de tarde, mas como sempre, todos ali tornavam a minha tarefa impossível. Não vou mentir: Eu não aguentava mais aquele lugar. Não que eu não gostasse dos campistas ali ou coisa do tipo, eu ficava feliz pelo chalé de Hermes ter me acolhido, mas eu não aguentava mais ter coisas roubadas ou então acordar com o cobertor molhado ou escovar os dentes com creme para os pés. Eu estava farto de pegadinhas, piadas ruins, ser acordado no meio da noite e ter cuecas desaparecidas e usadas como bandeira. Os campistas eram ótimos, mas estavam num ritmo de vida que eu simplesmente não conseguia acompanhar.

Eu passava o tempo que eu podia longe do chalé e isso funcionava bem até de noite, quando não tinha mais forças sequer para ficar de pé. Meu dia havia se resumido inteiramente a treinos e todos os tipos de atividades a ponto de eu desejar meu colchão no chão mais do que tudo naquela vida, mas obviamente eu não pude ter essa sorte grande. Eliah e John fizeram questão de não me deixar pregar os olhos sequer por um segundo. Haviam muitos indefinidos no chalé, mas esses dois em especial eram filhos de Hermes em si. Era fácil se supor pelo tanto que eles eram rápidos e traiçoeiros. Nos primeiros dias eram engraçados, agora simplesmente amigos irritantes.

-Nem ferrando que você vai dormir.

-O que acha que isso é? Um asilo?

Os dois arrancaram meu cobertor, fazendo-me soltar um suspiro irritado. Naquelas horas eu pensava se eu seria filho de Ares ou coisa do tipo, pois eu adoraria empalar os irmãos.

-Eu estou morto.

-Então como está falando? Vamos, Adam! Se você dormir, vai acordar boiando no lago.

-E olha que fazemos isso mesmo.

Eu não duvidava. Bufei em tom vencido, sentando-me no colchão, irritadamente.

-Tá. Me deem dez segundos.

Pedi o tempo suficiente que levou para eu vestir meus jeans e a camisa laranja do acampamento.  Eliah e John eram veteranos e eu poderia dizer isso não só pelo número de contas em seus colares. Eles eram mais rápidos e situados do que qualquer outra pessoa no acampamento e em uma de nossas conversas, haviam me dito que estavam aqui desde os dez anos de idade. Eu sentia um pouco de ciúmes em saber que garotos de dez anos haviam sido reclamados pelos pais quando o meu não queria me reclamar aos dezesseis, mesmo depois de eu descobrir sobre a minha vida meio divina. Eu tentava ao máximo não guardar rancor, pensar que ele fazia isso por alguma razão, mas estava difícil. Eu não sabia mais o que fazer para impressioná-lo.

Deixamos o chalé de Hermes e seguimos o fluxo de campistas que seguiam em direção ao mesmo lugar: A fogueira. Eu havia escutado coisas sobre esse evento, mas nunca havia o visto de perto antes. Seria no mínimo interessante. Eu esperava que fosse como as fogueiras dos acampamentos de verão que eu costumava frequentar: Com marshmallows e muita música. Eu adorava aquele clima de festa, conhecer pessoas novas e me divertir na frente do fogo... Na verdade, pensar que meu pai era Hefesto era um tanto plausível para mim. Eu era um péssimo construtor, mas sempre gostei do fogo em si. Eu ainda queria saber quem diabos havia me colocado no mundo e que não me queria agora.

Eliah e John me abandonaram assim que chegamos. Eles conheciam... Basicamente todo mundo, então é claro que não se prenderam a mim. Acenei para algumas pessoas conhecidas, mas nada demais já que eu estava no acampamento há pouco menos de uma semana e era ainda considerado um novato. A fogueira era de fato enorme e haviam muitos campistas sentados em volta dela, alguns filhos de Apolo tocando violão e outros campistas apenas se entretendo conversando ou contando piadas. Peguei um copo de néctar para mim e então caminhei em direção aos bancos, arranjando um lugar vago e então fitando o fogo dançar diante dos meus olhos por um momento. Eu poderia ficar ali para sempre observando o brilho, mas quando o vento bateu e afastou as chamas, pude encontrar de frente para mim, uma garota de cabelos loiros e olhos extremamente bonitos. Tive que piscar algumas vezes para ver se enxergava direito, mas logo as chamas voltaram a nos separar. O que eu estava fazendo?

Antes que pudesse me arrepender, me coloquei de pé e caminhei até o outro lado da fogueira. Eu precisava fazer amigos e era isso o que eu tentava dizer para mim, tentando me convencer de que havia ido falar com ela porque precisava socializar e não pelo fato de que ela era muito bonita. Ainda assim, senti certo receio em me aproximar. Mesmo tendo uma beleza delicada, ela não me parecia uma garota sensível e inocente. Pelo contrário. Algo em seu olhar era tão intimidador que por um momento pensei em recuar. Cheguei até mesmo a me sentir como quando tinha quatorze anos e saí para o meu primeiro encontro. O que estava acontecendo? Eu já havia descoberto que era um semideus e uma negação total suficiente para que sequer meu pai pudesse me reclamar. Eu não ia começar a me tornar um recluso também, isso não. Me lembrei de como eram as coisas em meu colégio e em como era fácil conversar com garotas apenas pelo fato de que eu jogava lacrosse. Eu só sentia que com ela eu precisaria de um pouco mais do que um jogo para impressionar. Talvez a cabeça de uma fúria ou coisa do tipo. Revirei os olhos com os meus pensamentos, só então percebendo que já havia me aproximado e não dito nada. Tossi. Era a hora.

-Huh... Oi! Esse lugar está vago?

Perguntei educadamente, apontando para o lugar ao seu lado. Por fim acabei me sentando e abri um sorriso de canto, observando-a cuidadosamente, agora de perto. Tentei ao máximo não me sentir nervoso por conta dos seus olhos.

-Eu sou Adam, meio que novo por aqui. -Sorri, só então notando o saco de jujubas em suas mãos. Deuses! O que? Meus olhos se arregalaram e senti a surpresa tomar conta do meu corpo. Como ela havia conseguido..? -Wow! Espera! Onde achou essas? Eu pedi para Eliah e John arrumarem para mim e eles não conseguiram. E olha que eles são os reis do tráfico por aqui! -Arregalei os olhos, soltando uma risadinha descontraída em seguida. -Pior que não é mentira. Eles andam fazendo contrabando dos melhores chocolates para mim nos últimos dias.
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Re: Fogueira

Mensagem por Alexis Carozella Kozloski em Qua 7 Jan 2015 - 3:18

Eu só podia estar daltônica para não conseguir identificar a cor das chamas. Ou eu estava concentrada demais em qualquer outra coisa que não fosse a conversa animada que o pessoal conduzia em torno da fogueira. Estava mesmo preocupada. Talvez devesse procurar... Não, não daria todo esse trabalho para ele. Já tinha um acampamento para coordenar, um sonho qualquer de uma adolescente não faria a mínima diferença pra ele. Abanei a cabeça negativamente por duas vezes, tirando aqueles pensamentos bobos e a imagem da minha mãe sendo arrastada por alguém. Apenas um pensamento bobo. 

O sabor de abacaxi e morango explodia em minha boca. Era até pecado minha fixação por aquele tipo de doce, mas não havia como controlar.  Felicity também adorava, só estava ocupada demais contando alguma história vantajosa e esnobe sobre o último treino com um filho de Area, onde ela obteve êxito sem esforço. Revirei os olhos e respirei fundo. Eu só tinha que ignorar esse lado dela, logo voltaria ao normal. Tão compenetrada estava na menina que nem notei a aproximação de alguém, só vendo-o quando ouvi a voz tão perto. Não desviei o olhar da fogueira inicialmente, apenas assentindo e apontando com a cabeça o campo vazio ao meu lado. Normalmente as pessoas não pediam permissão pra sentar; foi isso que me chamou a atenção e me fez olhar para a pessoa. Arregalei os olhos de maneira sutil ao encontrar a feição desconhecida de um rapaz tão bonito que não parecia comum. Quero dizer, ninguém ali era comum, mas ele tinha um quê diferente. Talvez fosse a luminosidade fraca da fogueira, eu via seus olhos brilhando. O rapaz se apresentou, trazendo consigo um sorriso tão bonito quanto ele. Não havia estoque de jujuba na minha boca, mas ainda assim eu mantinha o ato de mastigar. Um motivo para apenas ouvir. “Sou Adam, meio que novo por aqui.” Essa era a hora que eu abria minha boca e falava, certo? — Hmm... — O quê? Pigarrei, abanando a cabeça em repreensão a mim mesma. Só consegui murmurar? Que ridículo. Sem conseguir conter, uma risada escapou por entre meus lábios, me pegando de surpresa. Não tanto quanto o que ele falou em seguida. Olhei do garoto para meu saco de jujubas e estufei o peito com orgulho, demonstrando que eram minhas. Eu conhecia os nomes que ele havia dito: Eliah e John eram os caras mesmo. Conseguiam tudo, menos minhas jujubas. Não havia uma só coisa que eu escondesse que eles conseguiam encontrar. Eles eram espertos, eu era mais. — Opa, você falou chocolate? — Obrigada Zeus por devolver minha voz em seu estado normal. Continuava olhando o menino, mas dessa vez eu tinha um meio sorriso estampado. Na verdade, não tinha desviado o olhar desde que o tinha encontrado ainda. Se me perguntassem o motivo, culparia minha mania de gostar de observar as pessoas, principalmente pessoas tão... Bonitas assim – para não dizer algo pior, ou melhor, depende do ponto de vista. 

Ergui o saco de jujubas na altura dos olhos do garoto Adam, balançando meu objeto de barganha. — Divido minhas jujubas se dividir seu chocolate. — Mantive fixo o olhar. Se tem uma coisa que aprendi na vida do acampamento foi fazer negociações. — Astrid, à propósito. Injusto não falar meu nome. — Disse ainda com o saquinho erguido. Peguei uma jujuba vermelha e levei aos lábios, pegando-a com os dentes e mordendo vagarosamente. Sim, eu queria provocar. Meus olhos cairam para o pescoço do menino, onde não havia colar ainda enquanto eu tinha apenas um adorno no meu, demonstrando meu ano. Então a informação estava correta, ele era novo e estava com os meninos de Hermes ainda. Ou ele seria filho dele? Não parecia... Ele era diferente. Era como se acendesse a eletricidade que eu tinha. — Sem reclamação ainda? Nem se preocupe, não vai passar de um ano. E se quiser, te acolho no meu chalé. — Brinquei, piscando. A ideia realmente não parecia de toda ruim.
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Re: Fogueira

Mensagem por Adam Harris Treadwell em Qua 7 Jan 2015 - 3:43

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Por um momento eu pensei que teria que passar pelo terrível vexame de ser ignorado por uma garota, mas ela finalmente falou. Tentei não rir pelo fato de sua real frase para mim, ser "Opa, você falou chocolate?", mas já estava suficiente. Pelo menos eu descobri um gosto em comum, por mais que "chocolate" não fosse ser um bom tópico a ser abordado caso ficássemos sem assunto. Eu teria que me virar. Ao longe pude encontrar um grupo de campistas conversando e entre eles os malditos e ao mesmo tempo amados filhos de Hermes que haviam me arrastado até ali. Eles estavam distraídos e aquele provavelmente era um bom momento para eu voltar ao chalé e dormir, mas logo que esse pensamento passou por minha mente, tive a atenção puxada pela garota sentada ao meu lado que me ofereceu a divisão de suas jujubas. Ergui uma sobrancelha olhando para o saco em suas mãos e dei de ombros, abrindo um sorriso. Meu sono poderia esperar.

-Me considere uma pessoa fresca, mas eu tenho um tique. -Dei de ombros. -Só como as verdes e vermelhas. -Tentei ao máximo não dar risada do meu comentário por mais que ele fosse sério. Algumas pessoas tinham manias e tiques, o meu era especialmente com jujubas. -Acho que tem alguma coisa a ver com a minha infância e as noites de Natal em casa.

Comentei, mas cortei o assunto logo em seguida. A ferida ainda era recente e eu definitivamente não queria pensar nos meus pais. Em como eu havia os encontrado mortos e em como eu nunca iria poder mais passar um Natal ou qualquer outro dia com eles. A maioria dos campistas tinha uma casa lá fora, mas eu não mais. Agora aquele acampamento era a minha casa e por mais que eu gostasse de lá, doía um pouco. Abafei os pensamentos imediatamente, tentando focar na proposta da menina.

-Bem, acho que podemos chegar numa negociação, mas meu chocolate está escondido no chalé. -Sussurrei rezando aos céus para que nenhum dos filhos de Hermes escutassem e colocassem as mãos em meus estoques. Eram preciosos demais para serem roubados. Abri um sorriso simpático para Astrid quando ela se apresentou e ergui a mão, lhe dando uma piscadela. -Um nome bonito... E um tanto diferente. Eu gostei.

Dei de ombros, novamente sorrindo e tirando um tempo para analisar a menina. Eu não tinha ideia de quem ela poderia ser filha e por mais que eu soubesse que aquela era uma pergunta comum no acampamento, eu senti medo de perguntar. Talvez esse medo viesse de algum trauma pessoal meu por não ter sido reclamado ainda e talvez por não ter orgulho disso. Eu não queria que Astrid nem ninguém soubesse que meu pai sequer havia tido o trabalho de reconhecer a própria cria. Eu preferia deixar o tópico morto, pois assim não haveria embaraçamentos para ninguém, mas como se o destino zombasse de mim, a maior ironia do mundo aconteceu. Eu tive que piscar algumas vezes, um tanto surpreso com a frase dela. Era tão obvio assim que eu era um indefinido? O que os outros campistas tinham que eu não tinha? Tentei disfarçar minha reação ruim, pegando um punhado de jujubas e separando-as por cores antes de comê-las. Pelo menos eu me distraía.

-Um ano? -Arregalei os olhos em extrema perplexidade. -Meus deuses, acho que não perdoaria meu pai se ele demorasse um ano inteiro para me reclamar. -Abri um sorriso brincalhão por mais que aquela fosse a mais pura verdade. -Mas isso ajuda um pouco. Eu andei fazendo algumas pesquisas e eu descobri sobre a minha mãe biológica. Pelo menos eu sei que é uma mãe e que meu pai é... Bem, um homem. -Fiz uma careta por um momento ao discutir o sexo do deus. Não pude deixar de soltar uma risada. -Deuses, desculpe. Minha família adotiva era extremamente católica e não davam sexo a entidades como anjos ou próprio Deus. É meio estranho pensar que tudo isso é determinado lá em cima... Mas enfim... Acho que já posso eliminar algumas boas personalidades. Começando por Apolo. -Dei de ombros apontando para um garoto loiro e bronzeado que tocava um violão não muito longe de nós. -Não sou nem de longe quanto aquele garoto... Fala sério! Olhe pra ele, parece uma droga de um modelo da Abercrombie! -Soltei uma risada por conta da brincadeira, logo revirando os olhos. -Mas sério. Sou péssimo com pontaria, uma negação no arco e flecha. Não tenho nada de músico, não canto, não toco nada. Hermes também não é o meu pai. Não sou bom em piadas e sou uma pessoa nada discreta. Seria pego em primeiro roubo. -Sorri dando de ombros, olhando para John que ao longe fez um gesto obsceno para mim. Revirei os olhos. -Pensando bem, nem eles mesmos são bons em piadas. Mas isso são dois deuses eliminados. Olhe que beleza! Agora faltam apenas seis possibilidades!

Abri um sorriso de canto, revirando os olhos e dando mais um gole em meu néctar. Eu não me importava em conversar, sempre fui uma pessoa um tanto sociável, então é claro que com Astrid eu não teria problemas. Meus olhos caíram novamente em um grupo de campistas e lá pude ver uma garota, bonita como a que eu conversava, falando com outros dois rapazes. Ela olhava de tempos em tempos em nossa direção, então assumi logo que fosse alguma conhecida da loira com quem eu conversava. Voltei a observar Astrid, mais uma vez evitando por um segundo os intensos olhos azuis.

-E você? Quem te colocou nesse lugar?
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Re: Fogueira

Mensagem por Alexis Carozella Kozloski em Qua 7 Jan 2015 - 17:15

Informações relevantes sobre Adam: ele tinha tiques, um deles era comer jujubas verdes e vermelhas, nenhuma outra. Isso me deixava com as amarelas, alaranjadas e roxas, além das verdes e vermelhas. Eu não fazia questão das verdes mesmo, ele poderia ficar com elas, mas não deixei que o garoto soubesse que estava abrindo mão de um dos sabores. Acho que poderíamos ser grandes amigos e compartilhadores de doces caso ele se mantivesse longe das roxas. O olhar de Adam se entristeceu momentaneamente e cheguei a me perguntar se havia dito algo errado. Revirei minha mente em busca do erro, revendo os tópicos abordados do nosso diálogo diminuto sem encontrar o motivo daquele olhar. Mordi a bochecha interna me segurando para não perguntar. Eu não deveria ser invasiva com as pessoas, principalmente desconhecidos. Abri um sorriso discreto sem mostrar os dentes quando houve concordância na divisão dos doces. Arregalei os olhos e abanei a cabeça negativamente, erguendo a mão e tapando a boca dele, sem usar de real violência. Olhei para os lados, verificando se alguém nos observava, percebendo que essa foi a única hora que desviei o olhar de Adam desde que ele havia se sentado ao meu lado. — Shh! Não fala o que você tem nem onde está, por mais vaga que seja a informação. As pessoas aqui tem o costume de serem invasivos demais. — Terminei de falar e rapidamente tirei a mão que tampava a boca do menino, fazendo uma careta ao perceber o que tinha acabado de fazer. Não de deve tapar a boca das pessoas. — Desculpe por isso. — Eu realmente tinha que aprender a ser menos impulsiva, mesmo que fosse para ajudar um colega a manter seu chocolate são e salvo para dividir comigo depois. Nada mais justo, eu estava dividindo o que era meu também. 

Ergui a mão para cumprimentar o menino, segurando-a com delicadeza. Mesmo com o toque sutil, senti uma espécie de corrente eletrizar meus dedos e arrepiar os pelos do meu braço, encolhendo-o imediatamente diante disso. Adam não pareceu ter notado ou sentido algo, então apenas retribuí seu sorriso, acolhendo uma mecha loira atrás da orelha. — Bonito, não é? Não sei de onde minha mãe tirou, mas sei o significado. Guerreira. — Falei com o peito inflado de orgulho mais uma vez, olhando para o lado de Adam. Encontrei a cena mais estranhamente bizarra e comum, ao mesmo tempo, que já tinha visto na vida. Ele realmente estava separando as jujubas! Deuses! Não consegui conter o sorriso leve tomar meus lábios, me divertindo com a cena, só acreditando porque meus olhos estavam vendo mesmo aquele preconceito contra as outras jujubas. O som alarmante do “um ano?” de Adam fez-me erguer o olhar das mãos para o rosto dele outra vez, mantendo o sorriso. Era essa a reação dos campistas diante dessa brincadeira, então? Era a primeira vez que eu conversava com alguém que tinha tido pouco contato com o acampamento e estava me divertindo um bocado com aquilo. Deveria encontrar novatos mais vezes. Minha curiosidade se aguçou de uma forma estranha um quando Adam contou da religião dos pais adotivos e da forma com que eles imaginavam o que seria o céu. Anjos sem sexo? Deuses sem sexo? Eles não teriam órgãos então? Seriam tipo eunucos? Não consegui perguntar simplesmente por minhas dúvidas serem ridículas. Minha mãe não falava sobre nada disso. Ela não era ateia, acreditava que existia uma força acima de nós, mas não acreditava em deuses e anjos. Diante dos acontecimentos do último ano, até que poderia acreditar em anjos. De alguma forma eu conseguia assemelhar Adam às imagens de anjos que eu tinha formado na mente. Eles deveriam ser bonitos como ele. Acompanhei seu olhar para os meninos de Apolo, franzindo o cenho para observá-los. Eram os caras mais irritantes que eu conhecia. Eles eram talentosos e tudo o mais, até mesmo bastante bonitos, mas a personalidade que vinha do pai era uma merda completa. Apolo que nunca me ouvisse, mas ele tinha que dar um jeito no ego dos filhos. — Eles são gostosos. Só. — Dei de ombros, tornando a fitar Adam. Absolutamente ele não tinha jeito de ser filho de Hermes, começando por não querer roubar minhas jujubas. — Seis possibilidades, entre elas os Grandes. Pode descartar Hades também. Eles são reclusos, gostam de ficar em seus grupos sem contato com muita gente. E olha você, vindo sentar ao lado de uma desconhecida, conversando com uma desconhecida como se fôssemos colegas há tempos. Definitivamente, Hades não. — Meu olhar se desviou para o grupo dos filhos do meu querido tio, incluindo Felicity, um tanto distantes da fogueira. Percebi de canto de olho a movimentação da cabeça do garoto na mesma direção que eu olhava. Soltei o ar pela boca meio aberta em um suspiro, olhando para o fogo alto, me perdendo em meus pensamentos... 

E você? Quem te colocou nesse lugar? — Pisquei algumas vezes até focar o rosto do garoto. Foi a voz dele que me fez voltar ao mundo real. Na minha mente estava um dia feliz na praia com Felicity e mamãe um segundo antes da pergunta de Adam. Eu queria mesmo falar sobre como fui parar ali? Lembrava-me de pouco, mas o pouco era demais. Mordi o lábio inferior, considerando minhas palavras. Eu não precisava respondê-lo, mas, se não o fizesse, não poderia exigir qualquer resposta dele tampouco. — Temos um guardião que trabalhava com minha mãe. Fomos visita-la na editora um dia e tudo aconteceu lá. Fomos atacados por empousas, três delas. O guardião conseguiu nos trazer com segurança, minha mãe... Bem, ela ficou para trás. Estão jurando que ela está viva e bem, mas eu não tenho certeza disso. Quero dizer, eu estou aqui há um ano e não deixaram que minha irmã e eu fôssemos para casa, nem tivemos muita notícia dela. Eu não sei se acredito no que eles dizem, sobre o perigo e essa coisa toda de sermos filhas de grandes deuses. Eu temo o pior... E venho sonhando bastante com ela. — Estremeci e cortei minha fala, deixando a história vaga assim mesmo. Odiava lembrar aquele dia, odiava lembrar minha impotência diante dos demônios, odiava lembrar que tinha deixado a pessoa mais importante da minha vida fora do “meu mundo”. Eu sentia muito a falta dela, por mais que ninguém notasse já que eu sempre fui boa demais em esconder o que sentia. Respirei fundo outra vez, percebendo que minhas mãos estavam fechadas em punho com tanta força que esbranquiçou os nós dos dedos. Forcei minhas mãos a se abrirem e relaxarem, deixando meu saco de jujubas no colo do garoto, sem me importar com cerimônia. — Não me sinto bem falando sobre isso, Adam, e adoraria manter essa conversa só entre nós. — Meu tom de voz saiu mais ameaçador do que eu queria, só não conseguia evitar. Levei as mãos à nuca, sacudindo os fios e ajeitando-os em seguida. Relaxa, Astrid. 

Vamos continuar com as possibilidades do seu pai. Olha... — Coloquei a mão no queixo, tirando um tempo para analisar o garoto. Ele tinha um belo par de braços, podia ver a definição dos músculos das costas mesmo com a camiseta, além do peitoral avantajado. Meu olhar foi descendo e tomei cuidado para não observar o que não devia, esquadrinhando-o até o rosto outra vez. — Você é forte, mas não é filho de Ares, nem Hefesto. Eles não costumam ser tão bonitos e sua beleza te condena. Bem, eu posso estar enganada, mas esse é meu julgamento. Agora sobram dois e duas possibilidades intrigantes: Pode ser meu primo ou meu irmão. — Concluí, engolindo em seco e fazendo uma careta de decepção. —Sinceramente? Não quero que seja meu irmão. Não que eu seja egoísta a ponto de não querer irmãos, mas odiaria ter um irmão como você. Sou um tanto protetora e, bem, as meninas de Afrodite já estão te olhando demais. — Apontei com a cabeça as garotas amontoadas a uma distância segura de nós dois, fuzilando uma delas com o olhar. A menina mandou um beijo no ar para Adam. Isso me fez revirar os olhos e olhar de novo para o menino. Eu tinha que evitar contato visual com as “garotas frufru”. Tinha duas ou três que eu até gostava, mas nada mais que isso. — E sobre o um ano, não era verdade. Tem alguns campistas que estão há muito tempo se reclamação, mas esses são exatamente o tipo que envergonharia um pai ou mãe. Não que eu ache justo deixa-los órfãos, mas os deuses são... Estranhos. Parecem disputar quem tem a melhor cria e essa coisa toda. — Aproximei-me de Adam até encontrar a boca com seu ouvido, como quem queria contar um segredo. — O que eu acho ridículo. — Sussurrei. Não pude deixar de me agradar com o cheiro de colônia fresca no menino, guardando esse pensamento pra mim e me forçando a recuar o rosto. Nada de contato físico, principalmente com o sexo oposto. Era quase uma promessa. Eu queria focar no que era importante: honrar meu nome, meu pai e ser uma boa guerreira, e achava que relacionamentos poderiam atrapalhar isso. Bem, uma distração as vezes não seria de todo ruim. — E eu falo sério sobre o chalé. Meu pai não vai querer, jamais, mas eu dou um jeito. Ficar com os filhos de Hermes deve ser uma verdadeira merda. — Estiquei o braço assim que o vi erguer uma jujuba e peguei da mão dele antes que pudesse encontrar sua boca, trazendo-a para mim. — A grama do vizinho é sempre mais verde. — Joguei o doce para cima e esperei que ela caísse em minha boca aberta, lançando uma piscadela para Adam.
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Re: Fogueira

Mensagem por Adam Harris Treadwell em Qua 7 Jan 2015 - 18:14

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Eu não posso negar o fato de que amei mais do que tudo ter feito o comentário sobre os chocolates com Astrid, pois isso me levou onde eu nunca imaginei que chegaria. Santo Olimpo! Ela era ainda mais bonita de perto. Sua mão tampava a minha boca e ela sussurrava tão perto do meu rosto que era possível sentir o seu hálito. Se eu fosse um cara tímido, eu provavelmente teria ficado desconfortável com a situação, mas sendo quem eu era, eu simplesmente gostei. Muito. Eu só não queria que a mão dela estivesse entre nós.
Eu juro que minhas intensões com Astrid eram todas, menos fazê-la falar do seu passado, mas ela entendeu minha frase errado. Eu havia perguntado quem era o seu pai - eu sabia que não era uma mãe após ouvir a história - e não sobre o seu passado terrível. Eu sabia que grande parte dos campistas ali tinham passados ruins e desagradáveis, eu mesmo tinha um do qual eu não suportava falar, então eu nunca gostaria de fazê-la passar por isso. Mas eu fiz. E eu quis imediatamente morrer. Fitei o fogo, absorvendo cada palavra dela e fazendo-as entrar em minha mente como ecos distantes. Eu imaginava a merda que seria ter a mãe tirada de si. Imaginava não, eu sabia. Mas eu senti ciúmes pelo fato de que Astrid tinha chances de ter a mãe bem e eu não. Uma delas havia me abandonado e a outra havia morrido. Meu pai também. Minha família era um tanto confusa se eu fosse parar para pensar. Minha mãe biológica me enfiou em um orfanato quando eu tinha apenas três anos de idade e meus pais adotivos foram assassinados. Agora meu pai biológico era aparentemente picudo demais para poder assumir o próprio filho. Aquilo era ridículo! Eu tentava não me revoltar, não guardar rancor, mas era ridículo e eu estava começando a ficar impaciente.
Ela mudou de assunto drasticamente e eu agradeci mentalmente por isso. Não queria enfiar o clima de fogueira em um terrível e mórbido passado em que teríamos que cavar para poder contar para o outro. Eu, por exemplo, morri de medo de ela me perguntar sobre o meu, mas eu agradeci aos deuses por ela não tê-lo feito.

-Não era a minha intensão, perguntar a você sobre o seu passado. -Dei de ombros, tentando fingir-me indiferente. -Desculpe... E eu sinto muito. Mas enfim, eu acho que eu daria um bom filho de Hades! Digo, não sou recluso nem nada do tipo, mas eu sou um cara misterioso e totalmente sério, só uso preto. Não vê? -Fiz uma careta em seguida olhando para minha camiseta laranja e dando risada. Tentei me imaginar com os filhos de Hades no canto da fogueira e a ideia soou realmente ridícula. Ela tinha razão. -Ou não. Mas agora é sério... Não vejo o porquê não de Hefesto. Ares tudo bem, eu rezo todos os dias para ele não ser o meu pai porque eu simplesmente tenho aversão de todos os filhos dele. São valentões e eu tenho horror a isso. Ainda assim, Hefesto seria um bom chute. Beleza está nos olhos de quem vê, aliás. -Pisquei, soltando uma risadinha. -Posso ser extremamente feio e você simplesmente está me dizendo que não porque tem dó ou um péssimo gosto. Nunca se sabe. -Sorri, dando de ombros. Se ela tinha mal gosto e eu era de fato feio, então deuses! Havia tirado a sorte grande. -Mas os três grandes? Eu não sei. Não tem toda essa bobeira de hierarquia por aqui? A famosa pirâmide em que os três grandes estão no topo, os olimpianos no meio, os menores na base e os indefinidos fazendo parte da área da escravidão?

Soltei uma risada brincalhona com o meu comentário. Eu estava na base da pirâmide e por mais que eu não fosse dizer isso a ela, eu odiava. Eu sempre fui um cara competitivo e digamos que estar no topo sempre foi uma das minhas metas, mas tinha meus parâmetros para isso. Não era o tipo de maluco sedento por poder que faria de tudo para alcançar o que quer. Digamos que eu era um maluco controlado se um dia isso for possível. Observei Astrid cuidadosamente quando ela começou a falar sobre os três grandes e isso fez meus olhos se arregalarem. O que? Então ela era filha de um dos três grandes: Poseidon ou Zeus. Eu poderia descartar Hades porque ele mesmo havia sido descartado por ela anteriormente e ela disse que havia chances de eu ser seu irmão. Irmão daquela garota? Acho que queria continuar sendo indefinido por mais um tempo. Fitei minhas mãos agora entendendo a razão por ter me sentido tão intimidado quanto a ela e também o porque de eu sempre sentir uma energia forte de certa forma vindo dela. Ela era o topo da pirâmide. Eu era a base mais baixa.

-Acho que está havendo um conflito de patamares aqui. Você é uma das crias dos três grandes? Wow. Devo ter medo de você? -Brinquei, abrindo um sorriso de canto por mais que eu estivesse levemente desanimado. Eu estava errado, eu não precisava da cabeça de um monstro para impressionar aquela garota. Precisava de dez. -Espere... Irmãos como eu?

Parei por um momento, ligeiramente confusa. O que ela queria dizer com isso? Meus olhos caíram sobre um grupo de garotas paradas não muito longe de nós, todas extremamente bonitas, mas nenhuma me chamou a atenção como Astrid fez. Uma delas me mandou um beijo e não pude deixar de sorrir quase instantaneamente. Voltei a encarar a menina de olhos azuis, um tanto divertido com a situação.

-Certo... -Parei por um momento para ouvir o comentário dela sobre os campistas indefinidos e não pude acreditar no que ouvi. Aquilo era sério? -Bem, isso é ridículo! Digo, na hora de fazer o filho é fácil, mas depois... -Minha frase morreu assim que ela sussurrou em meu ouvido. Não pude evitar ao reflexo de umedecer os lábios com a língua e senti de leve o aroma doce que ela exalava. Deuses, eu estava perdido. Astrid se afastou de mim e novamente ofereceu uma estadia em seu chalé, a qual eu estava realmente cogitando a aceitar, se isso não envolvesse o fato de eu ter que lidar com um dos chefões do Olimpo. -Digamos que se seu pai fosse me matar... Ele jogaria um raio em minha cabeça ou me afogaria na pia? -Perguntei em tom brincalhão, mesmo que eu tivesse medo de uma dessas coisas realmente acontecerem. Eu não duvidava de nada quanto aos deuses.

Levei uma das jujubas vermelhas à boca, mas antes que pudesse de fato comê-la, uma mão arrancou-a de entre os meus dedos, afastando-a de mim. Observei a cena em total indignação enquanto Astrid soltava uma risada e então me dizia que a grama do vizinho era sempre mais verde. Soltei uma risada gostosa, revirando os olhos e balancei a cabeça negativamente. Olhei nas mãos dela em busca de alguma jujuba verde ou vermelha, mas a maioria ali tinham a cor roxa. Estreitei os olhos.

-Isso não é justo. No seu caso a grama é de todas as cores, menos as que eu quero. -Brinquei, olhando para as meninas de Afrodite não muito longe, mas acabei por desviar o olhar quase imediatamente. Não estava interessado nem nada, só estava me sentindo observado e não gostava muito disso. -Você disse algo sobre uma irmã... E disse que são "deuses" poderosos. Não são filhas do mesmo deus? -Perguntei confuso. Aquela história toda eram apenas mais nós para a minha cabeça e eu já não era um dos caras mais inteligentes do mundo. -E eu tenho que admitir uma coisa aqui: Se você não tivesse um olhar assassino e não tivesse me dito que tinha um pai divino, eu teria te colocado como uma filha de Afrodite. E isso não é uma cantada grega bizarra. -Sorri, pegando a jujuba no ar que ela havia lançado, antes de cair em sua boca. Sorri vitorioso. -Aha!


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Re: Fogueira

Mensagem por Alexis Carozella Kozloski em Qua 7 Jan 2015 - 20:03

Arqueei uma sobrancelha e abanei a cabeça negativamente. Definitivamente, Adam não era filho de Hades. Seu humor era bom demais para ser. Se bem que filhos de Hades eram tão misteriosos que chegavam a ser sedutores, pelo menos pra mim, mas não tão sedutores quanto o menino que tentava se desculpar comigo fazendo uma piada ruim. Dei risada da situação não por querer deixa-lo confortável, eu nem fazia questão de deixar as pessoas confortáveis, mas sim por realmente ter o riso fácil com aquele garoto. O quê? Beleza está nos olhos de quem vê? Soltei outra risada e isso realmente não era comum comigo. Quantas pessoas tinham a peripécia de me fazer rir tantas vezes seguidas assim com tão pouca dificuldade? Acho que... Uma: o menino dos olhos brilhantes e sorriso encantador. Eu poderia jurar que ele era filho de Afrodite se o julgasse pela beleza e se não tivesse me dito que o progenitor era um deus, não uma deusa. — Não falo nada que não seja verdade, não sou o tipo de menina que faz de tudo pra agradar. É sério, você é gos... Encantador. — Dei de ombros e desviei o olhar para o fogo, tentando não me constranger com a mancada que eu estava prestes a dar. Logo Adam estava falando sobre a hierarquia do acampamento. Era impossível não olhar para ele a cada vez que falava. Era o tipo de atenção que eu dava para pouquíssimas pessoas. A hierarquia era um saco total, os filhos dos grandes eram mais pressionados pelos filhos dos outros deuses, gostavam de nos ver em maus lençóis e faziam de tudo para tentar fazer nossa vida um inferninho. Pena que não conseguiam. Não éramos os primos mais unidos (Poseidon, Hades e Zeus), mas conseguíamos estar juntos quando precisava. Não precisava comentar nada sobre isso, acho que Adam sabia minha posição sobre essa hierarquia só por eu estar falando com ele. Poderia ser filho de qualquer deus, mas isso não mudava minha concepção de que todos tinham suas habilidades. Alguns mais do que outros, claro. 

Aproveitei que Adam brincava sobre eu ser filha de um dos grandes e lancei a ele um olhar ameaçador, concordando com a cabeça sobre ele precisar ter medo de mim. — Claro que precisa, posso te fritar a qualquer momento. Quer testar? — Apontei o indicador ameaçadoramente para ele, arqueando uma sobrancelha como quem espera uma resposta. Cutuquei as costelas de Adam sem usar muita força, abrindo um sorriso. Eu estava me sentindo estranhamente descontraída, quem diria que a fogueira de hoje me traria surpresas tão boas? O menino pareceu entender o que eu havia dito sobre as filhas de Afrodite ao fita-las. E ELE RIU PRA ELAS! Não pude evitar revirar os olhos mesmo pra aquilo. Homens eram tão... Tão. — Sem sorrir pra elas, vão vir te encher o saco daqui a pouco. — E aí minha noite estaria estragada se alguma delas se aproximar. As coisas estavam tão boas. 

Ele definitivamente lançaria um raio na sua cabeça. Mas deve estar ocupado demais preocupado com qualquer coisa que não seja uma de suas filhas levando outro menino pro chalé. — Falei de forma descontraída como se fosse uma coisa natural. Ser filha de Zeus não era natural pros outros, era visto por muitos como uma dádiva. Por ser filha, era normal. Não sei como me sentiria se não fosse. Os olhos de Adam caíram em minhas mãos com as cores roxas em maioria. Tive que morder o lábio pra não rir do que ele havia dito e da sua expressão. Abri a boca para rebater sobre as jujubas, mas ele foi mais rápido em sua curiosidade sobre a irmã que eu havia citado. Meu olhar caiu por um segundo em Felicity ao longe antes de voltar a Adam, respirando fundo e acenando negativamente. — Somos filhas da mesma mãe, mas não do mesmo pai. Sou Zeus. Ela é Hades. Sou a luz enquanto ela é da escuridão. E essa parte é pura brincadeira, se bem que eu sou mais bonita mesmo, mais inteligente e mais legal. — Pisquei pra ele só pela ênfase da brincadeira. Epa, eu tinha olhar assassino? Sério? Fiquei surpresa mais uma vez com Adam. Ele sempre me surpreendia. E filha de Afrodite? — Oh, no! Olhar assassino até que vai, mas filha de Afrodite não. Consegue me ver cheia de brilho e maquiagem, sempre pintando unhas e essa coisa toda? Sei que elas tem suas habilidades e são extremamente belas... — Click! Agora que entendi a parte de “não ser uma cantada”. Semicerrei os olhos para o menino em tom de provocação, passando a língua pelos lábios. — Então me acha bonita? Ou bonita ou fútil. Vamos lá, seja esperto com a resposta ou vou te fritar mesmo. — Eu seria incapaz de frita-lo, mas ameaças nunca eram demais. Principalmente com quem tinha tão bom senso de humor como ele. 

Antes que a jujuba parasse em meu organismo, Adam se mostrou ágil e praticamente tirou da minha boca. Encarei o menino em total tom de desaprovação, abanando a cabeça e estalando a língua. — Tsc tsc, agora é guerra. Vai ter que comer jujubas roxas! — Com o punhado que tinha em mãos, me inclinei para o lado do garoto, usei uma das mãos para fazer cócegas e a outra para tentar colocar as balinhas na boca dele. Não conseguia parar de rir da situação e o desespero de Adam negando veementemente.  Quando notei, estava praticamente em cima dele tentando fazê-lo comer. Meus olhos estavam fixos nos dele e eles eram lindos... Uou. Aproximação. Parei por um instante, apoiando uma das mãos no peito do garoto e afastei-me vagarosamente. Fiquei sem ar e tive que piscar repetidas vezes para me situar no mundo. — Okay, eu paro. Mas vamos lá, as roxas não são tão ruins. Experimenta uma e, se realmente não gostar, eu farei qualquer coisa que quiser que eu faça. Vamos lá, não é algo tão ruim.  — Estiquei a mão que segurava uma jujuba na direção da boca de Adam, dessa vez sem forçar, apenas esperando se ele iria aceitar ou não. Continuava a olhar seus olhos, sem intenção de desviar.
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Re: Fogueira

Mensagem por Adam Harris Treadwell em Qui 8 Jan 2015 - 0:14

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— Ele definitivamente lançaria um raio na sua cabeça. Mas deve estar ocupado demais preocupado com qualquer coisa que não seja uma de suas filhas levando outro menino pro chalé.

Eu não sabia qual deveria ser a minha reação diante daquela frase, mas tudo que não consegui conter, foi o sorriso um tanto tendencioso que surgiu em meu rosto. Eu não arriscaria brincar com Zeus por mais que eu estivesse um tanto chocado pelo fato de ela ser filha logo desse deus em particular. Eu não era o cara mais tranquilo quando se tratava de altura e... Bem, ela era simplesmente filha do rei de todos os deuses, o rei das tempestades e dos raios, o deus do... Bem, era melhor eu pelo menos parar com os pensamentos. Se a hierarquia existisse e realmente houvesse uma pirâmide, Astrid estaria no ponto mais alto do patamar mais elevado. Seria uma escalada e tanto para mim.

Ela me contou sobre a irmã e não pude deixar de ficar surpreso. Uma mesma humana havia sido interessante o suficiente para atrair dois deuses, ainda mais dois dos três grandes? Agora eu entendia a razão de aquela garota ser tão deslumbrante, ela provavelmente havia herdado da mãe. Eu olhei para o canto e fitei a menina loira junta com os filhos de Hades. Não posso negar que ela era um tanto sombria e até mesmo parecia misteriosa, mas deuses, ela era muito bonita, talvez até mesmo tanto quanto a irmã. Um sorriso de canto se abriu em meu rosto quando ouvi o comentário que Astrid fez ao tirar a conclusão sobre a minha comparação dela a uma filha de Afrodite. Eu sempre pensei que lerdeza fosse uma característica minha, mas agora éramos dois em um mesmo barco. Ela demorou um tanto para perceber que na verdade eu estava simplesmente dizendo que ela era bonita.

-Eu te acho muito bonita, pode dormir em paz. -Abri um sorriso de canto, tentando parecer indiferente. Eu costumava ser bom em falar com garotas no colegial, mas não posso negar o fato de que Astrid sabia me intimidar e eu não tinha certeza se gostava disso. Ergui uma sobrancelha olhando distraidamente para a sua irmã do outro lado. -Se posso ser sincero, não sei qual deus eu preferiria enfrentar. Hades ou Zeus. Os dois me parecem bem cruéis. Zeus pelo menos tem o mérito de ter comido quase 80% da população feminina mundial.

Abri um sorrisinho de canto, olhando de rabo de olho para tentar enxergar a expressão de Astrid diante o meu comentário. Eu esperava que ela fosse me dar um tapa ou então simplesmente me xingar, mas o que veio foi além das minhas expectativas. Quando roubei sua jujba ela jurou vingança e então me atacou em surpresa com uma mão cheia de jujubas de cor roxas. Meus olhos se arregalaram e dei risada, segurando-a pela cintura, tentando-a manter longe de mim. Havia uma desproporcionalidade de força ali, é claro, mas eu não estava me esforçando ao meu máximo para afastá-la de mim, pelo menos não quando notei quão próximos estávamos um do outro. Astrid começou com cócegas e não teve jeito. Era ridículo pensar em um semideus forte e treinado pudesse sucumbir tão facilmente a um ataque de cócegas, mas aquele era o meu calcanhar de Aquiles. Eu era péssimo com as risadas involuntárias que vinham do ato e logo eu sequer conseguia mais afastá-la de mim, por isso meu próximo reflexo foi tampar a minha boca, impedindo-a de obrigar-me a comer as malditas jujubas.

Ela parou e então tudo parou junto com isso. Ela estava perto de mim, muito perto e uma das minhas mãos estava pousada em sua cintura, coisa que não facilitava em nossa proximidade. Eu fitava fundo nos seus olhos azuis e por um momento eu não me senti intimidado e sim hipnotizado. Eu sempre tive queda por olhos claros, mas nunca havia visto nenhum como os dela. Não estava querendo ser poeta ou um romântico incorrigível. Era apenas uma grande mentira dizer que aqueles olhos não eram os azuis mais intensos que um dia vi. Era como encarar diretamente ao céu.

-Essa é uma péssima hora pra me ameaçar. Por favor não me eletrocute.

Falei em tom baixo e um tanto brincalhão, sentindo-me decepcionado quando ela se afastou de mim. Alguns olhos estavam sobre nós, mas eu não liguei. Eu não me importava de ser o centro das atenções, nunca me importei. Eu geralmente só levava tudo como se nada houvesse mudado. Astrid tentou me convencer a comer as roxas, mas era realmente algo do meu toque que eu não sabia como vencer. Eu poderia pelo menos colocar uma na boca e então fazer um pedido qualquer para ela, um que deixasse minha imaginação fluir, mas eu era incapaz de fazer isso. Um toque é muito mais forte do que parece, por mais ridículo e irracional que ele seja.

Eu ia dizer para ela que passava a oferta, mas assim que tentei, a música que vinha dos filhos de Apolo se tornou mais e mais alta. Se eu comesse a jujuba, eu provavelmente pediria para encontrá-la de novo em outro lugar e não perdê-la pelo acampamento, mas com aquela altura de música inconveniente, eu não precisava comer doces de cor roxa. Meus olhos se viraram para ela e então uma careta se formou em meu rosto, enquanto eu aproximava a boca do ouvido dela para que ela pudesse me escutar. Não hesitei em dizer:

-Ei, o que acha de darmos uma volta na praia? Está um pouco complicado de conversar por aqui.

Ofereci abrindo um sorriso de canto. Eu não estava com segundas intensões ou planejando nada, apenas queria dar uma volta em um lugar mais pacífico e menos movimentado já que... Bem, eu não era o maior fã de festas. Era um pequeno segredo meu já que costumava ir em muitas festas do colégio, mas sempre tive aversão a elas. Olhei para Astrid em expectativa. Eu só queria a sua permissão para sair correndo daquele lugar.
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Re: Fogueira

Mensagem por Alexis Carozella Kozloski em Qui 8 Jan 2015 - 1:00

Ouviu isso, pai? Adam quer aprender com você os macetes de como comer 80% da população feminina. — Eu tinha o rosto erguido pra cima e falava com o céu estrelado. Sabia que Zeus não daria o trabalho de prestar atenção, mas não podia perder a chance. Inicialmente minha boca se escancarou principalmente pelo uso da palavra “comer”, só depois de passado o susto que resolvi falar com meu querido pai. Quem sabe ele não descia pra ensinar alguma coisa “útil” ao meu mais novo candidato a amigo. — Na verdade, o “vovô” que era bom em comer. Sabe, aquela velha história de comer os filhos e blabla... — Dei de ombros e deixei a frase perdurar, mesmo sabendo que a ideia de “comer” não era bem aquela. Adam pareceu gostar da minha reação. Talvez tenha se surpreendido tanto quanto eu estava me surpreendendo com ele. 

A proximidade não pareceu deixa-lo desconfortável. Isso era bom, não era? Pelo menos não seria um dos caras que saía correndo a cada vez que recebia um “oi” de uma garota. Sim, isso era definitivamente bom. Minha tentativa de fazê-lo experimentar as balas roxas foi completamente falha. Era bom, por um lado: eu não iria ficar devendo nada para Adam, além de não saber o que seria ficar à sua mercê sobre “qualquer coisa”. Vai que o garoto era louco e me pediria, sei lá, que eu separasse as cores das jujubas para ele pelo resto da vida. Seria, no mínimo, muito bizarro. Adam abriu a boca para falar alguma coisa, mas eu ouvi outra coisa no lugar da sua voz. A música tomou uma entonação mais alta, preenchendo o espaço e sendo superior até às conversas mais próximas. Fiz uma careta de decepção, jogando a jujuba roxa pra cima e pegando com a boca, dessa vez sem perigo de intromissão. Eu gostava de música, mas tinha que ser boa para poder me envolver. Os filhos de Apolo tinham seus dons, só o repertório que não era nenhum pouco convidativo. Coloquei as mãos nos ouvidos para tampa-los, na intenção nula de abafar o som. — Ai, eu não mereço. — Reclamei para o garoto ao meu lado, abaixando as mãos, fazendo uma careta de tédio. Eu iria para o chalé dormir se eles continuassem, o que seria um completo desperdício já que finalmente eu havia encontrado uma companhia suficientemente agradável para me distrair por bastante tempo. 

Ouvir a voz de Adam tão perto me fez arrepiar. Isso era estranho demais. Não importa a estranheza das reações do meu corpo, a proposta dele soou tão doce e genial que meus olhos poderiam estar brilhando quando olhei pra ele de novo. — Por favor, vamos. Apolo precisa melhorar o repertório desses meninos. Prefiro ser sequestrada por você do que continuar aqui. — Praia não era o que eu tinha planejado para a noite, mas qualquer coisa que viesse de Adam parecia bom. Além de que eu não gostava de seguir planos, mesmo continuando a fazê-los. Me levantei de onde estava sentada com um pulo só, parando de frente pra ele e estendendo a mão. — Venha, jovem gafanhoto. O som do mar nunca foi tão convidativo. — Abri um sorriso largo que mostrava meus dentes para Adam, o puxando pela mão por entre alguns campistas, ignorando os olhares que nos seguiam, indo para um lugar longe de toda aquela cantoria insatisfatória. 

Encerrado.
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Re: Fogueira

Mensagem por Rachel Learmonth Dicker em Qui 15 Jan 2015 - 22:34


looks like a girl, but she's a flame
Hotter than a fantasy lonely like a highway

Estava quase na hora da fogueira, fui avisada por alguns semideuses de que teria hoje. Todo mundo sentado jogando conversa fora e contando histórias. Um bom lugar para descontrair. Estava no chalé ainda me arrumando. Após o longo processo saí porta a fora do chalé 23. A lua no céu brilhava. E em volta dela havia centenas de estrelas que a contornavam. Era uma das coisas mais bonitas que já vi. Continuei descendo os degraus do chalé. Ajeitei minha saia e fui colocando mais a jaqueta. Não havia quase ninguém por perto, talvez eu já estava até atrasada. Mas como meu chalé ficava como um dos últimos do ômega não dei importância. Fui caminhando pela noite. O acampamento estava iluminado como sempre e logo avistei a imensa fogueira. Sua cor variava, era muito bonita. Continuei seguindo até o local. Jovens campistas sentavam em conjunto a contornando. Logo procurei um lugar vago para sentar.

Ainda estava poucos passos dos demais. Me aproximei e fiquei de pé admirando a chama de cores. –  Você quer sentar? Ali tem um lugar. – Um garoto extremamente lindo falava comigo. Ele apontava para um lugar de frente a dele. Sorri e agradeci. – Ah, obrigada. – Caminhei até o lugar disponível. Mais semideuses chegavam até o círculo esta quase completo. Sentei ajeitando minha saia e minhas pulseiras no braço. Abaixei meu rosto e minha franja caiu sobre meus olhos. Elevei jogando-a para o lado com umas das mãos. O garoto me analisava por completo, a verdade era que vários olhavam para mim. Sabe aqueles dias que você acha que todos estão te encarando, então era assim que eu estava me sentindo. Deixei escapar um sorriso bobo nos lábios enquanto uns semideuses contavam algumas histórias. O calor estava demais, logo tirei minha jaqueta e a pus encima do meu colo. Enquanto olhavam para mim, tentei disfarçar se metendo em alguma conversa de uns campistas ao redor. Já sabia que essa noite promete.
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Re: Fogueira

Mensagem por Elisabeth M. Jones em Seg 19 Jan 2015 - 0:28

fogueira
if you love, come on, get involved
Saí correndo do chalé 5 em direção à fogueira. As pessoas ainda não haviam apagado o fogo e, sentados ao redor do fogo, havia poucos campistas. Abri minha mochila e peguei alguns marshmallows colocando-os em um só graveto. Comecei a assá-los e abri meu livro preferido: O menino do pijama listrado. Aquela devia ser a vigésima vez que eu lia o livro, mas não importa quantas vezes o lia, sempre sentia como se fosse a primeira vez. Abri na página marcada e dei uma mordida grande em um marshmallow. A medida que eu ia lendo, mais marshmallows eu ia comendo. Quando percebi, o pacote inteiro daquele doce dos Deuses havia acabado e eu estava na metade do livro. Olhei para o relógio e ele marcava meia noite. Em seguida olhei para cima e todos os campistas haviam deixado a fogueira. Peguei um balde d'água e apaguei o fogo, ficando sozinha em um escuro tenebroso. O lado positivo era que meu chalé não estava longe, mas cada segundo no breu que era meia noite no acampamento meio-sangue me deixava nervosa. Segurei minha bolsa e fui andando rápido até meu chalé. Cheguei e me joguei na cama, apagando completamente.
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Re: Fogueira

Mensagem por Christina R. Lockhart em Ter 20 Jan 2015 - 16:55

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Re: Fogueira

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