Casa Grande

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Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Qua 29 Jan 2014 - 1:52

that's something like...
the walking christina

Sabe quando dizem que tudo que é ruim pode ficar pior? Esse ditado de mostrava cada vez mais verdadeiro a cada dia na minha vida. Aqueles malditos pesadelos insistiam em me perseguir todas as noites, o que fazia com que eu me sentisse uma criança medrosa de três anos. Apesar de serem confusos e eu nunca me lembrar do que se tratavam, o suor e meus irmãos resmungando "Para de gritar e dorme, Christina!", denunciavam que eram atordoantes o suficiente para fazer com que eu perdesse a calma. Sem falar que era difícil de acordar, como se eu estivesse presa, e quando voltava a dormir, começava tudo de novo. Isso estava se tornando um ciclo vicioso que estava acabando com a qualidade do meu sono, o que alterava ainda mais meu péssimo humor. Isso era refletido claramente no meu desempenho nos treinos, que pioravam a cada dia mais, apesar de ser a única coisa a qual eu me dedicava atualmente para distrair a mente. E agora, sem a presença de Chaz, a única pessoa que conseguia me acalmar quanto a isso tudo, tudo o que eu vinha acontecendo, eu sentia que tudo ao meu redor era caos. Poderia ser a TPM, mas as vezes, tudo o que tinha vontade de fazer era permanecer na cama chorando para que tudo isso de ruim que vinha acontecendo na minha vida passasse, mas uma pequena chama do meu orgulho me acordava pra vida com um tapa na cara, me fazendo engolir o choro e sorrir, como se tudo estivesse bem. É claro, atuar, fingir, dissimular e mentir são um dos talentos dos filhos de Dionísio, talentos os quais eu evitava usar com as pessoas mais próximas, a menos que se tratasse sobre meu estado de espirito.

Eu tinha certeza que passava das três da manhã quando deixei meu beliche, suando. Mais uma vez, consequência dos sonhos ruins que me perseguiam todos os dias. Cambaleei para fora do chalé, sem rumo e sem se preocupar com as harpias - já que no momento, ser pega parecia ser o menor dos meus problemas. Vestia uma camiseta de Chaz, a mesma que peguei de seu chalé no dia em que ele desapareceu, e desde então costumava a dormir com ela todas as noites. Ela cobria praticamente meu corpo todo, incluindo meu shorts, e o cheiro nela estava se tornando cada vez menos do filho de Poseidon e cada vez mais meu - o que me fazia me perguntar se eu deveria roubar pegar outra de suas camisetas. Quíron havia dito para que eu me acalmasse e não fizesse qualquer besteira, que provavelmente ele ainda estava vivo. Suspeita a qual se confirmava quando eu questionava algum conhecido do chalé de Hades, sobre poder sentir sua morte, e isso de alguma forma me acalmava. Pena que não o suficiente. Caminhei sem rumo por entre os chalés, afim de simplesmente relaxar e respirar o ar fresco da noite, o que apesar do sono, não parecia má ideia diante aos meus tormentos noturnos. Sem perceber, acabei caminhando até a varanda da Casa Grande. O local me trouxe a recordação de quando estive ali de bobeira conversando com Alicia, filha de Ares, que também se encontrava de bobeira durante a madrugada. Por um momento ri discretamente da recordação da menina caindo de cara quando a puxei para baixo do parapeito da varanda, afim de se esconder de Quíron, que provavelmente havia acordado para um lancinho da madrugada. Mas, a lembrança me trouxe a recordação semelhante da noite de ano novo, quando que Chaz e eu vivemos a situação semelhante na floresta, afim de se esconder das harpias. Suspirei com desanimo e me encostei no parapeito, onde acomodei os braços e o corpo sobre o mesmo, observando a lua e as estrelas. Talvez fosse um karma ou coisa do tipo que fazia todo mundo que estivesse comigo numa madrugada levasse um tombo perante um flagra eminente, o que seria completamente aceitável, já que eu tinha o talento de trazer desastre, confusões e risadas a qualquer situação, o que tornava o momento algo agradável de se lembrar mais tarde e se contar em rodas de conversas divertidas e descontraídas, o que não era nem de longe o caso. Eu mal sorria ultimamente, e isso fazia com que eu me sentisse cada vez menos uma digna filha de Dionísio. De repente, meus devaneios aleatórios foram interrompidos por o som de passos e a sensação de uma presença atrás de mim, o que me fez me virar atenta com um pulo. - Quem é que tá ai?! - sussurrei irritada, antes que a pessoa se revelasse, me fazendo suspirar em alívio. - Sua vagabunda, você quase me matou do coração! Que porra você tá fazendo aqui?! - gritei ainda em sussurro para Gabby, a filha de Éolo cujo sorriso divertido para com a situação era visível, apesar da escuridão da noite.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Gabby Hoff. Fitzgerald em Qui 30 Jan 2014 - 16:59


Assim como caneta está para papel, semideus está para o Acampamento Meio-Sangue. Seguindo essa analogia, o Acampamento é como uma grande folha — laranja, claro — em que as canetas — os então meio-sangues — podem desenhar a vontade, criando suas linhas tortas e mal-feitas até por fim aprenderem a desenhar perfeitamente e só então se virem "livres" do tal papel que os limitam e poderem partir em busca de novas páginas para escrever suas vidas, tentando sempre fazer os desenhos o mais bem feito possível. O Acampamento é, também, como um quadro em branco, em que cada um que passa, faz uma pequena linha, uma pequena marca, deixando assim um legado. O Acampamento pode ainda ser comparado a um livro escrito em conjunto; em que todos dão ideias, e ajudam a construir uma história boa e concreta baseada em si mesmos. O Acampamento Meio-Sangue é o único lugar em que adolescentes como eu — filhos de deuses da mitologia grega com mortais — podem treinar seus riscos e rabiscos a vontade, sem medo de errar e com a confiança de aprender o que é necessário para a sobrevivência. É, por fim, como uma 'mãe', que abriga a todos sem julgar nada, os acolhendo em um abraço. É a sede dos semideuses, onde eles sabem que poderão ir e vir muitas vezes e ainda assim, serão parte da família; e ele é isso, afinal: uma grande família. Com irmãos e meios-irmãos e primos, todos ligados por sentimentos e problemas em comum. Amigos; acima de tudo e de qualquer coisa, companheiros. O Acampamento fornece moradia, treinamento e família; coisas que são necessárias não só para pessoas como eu, mas para todos, de uma forma ou de outra. Mas, chega um momento em que achamos que já sabemos desenhar; um momento em que nos julgamos independentes o suficiente para partimos para o nosso próprio 'caderno de desenho', para fazer nossa própria obra de arte. Achamos que já aprendemos tudo, e que, apesar de tudo, já podemos nos aventurar a ir para o 'mundo lá fora'. A maioria de nós tem esse pensamento quando completa aproximadamente dezesseis anos e já tem mais de quatro anos de Acampamento — como no meu caso —; mas somente alguns tem coragem de colocá-lo em prática. Eu fui um desses "alguns" que resolveu arriscar tudo para provar que poderia ser normal e viver uma vida comum ao lado de minha mãe, na Carolina do Norte; e apesar de todos os avisos, alertas e pedidos, eu realmente fui atrás disso. Fiz as malas e fui atrás da normalidade que tantos querem e poucos conseguem.

Essa ideia de normalidade que eu criei durou exatamente cento e cinquenta e três dias — sim, eu contei. Numa terça-feira nublada, algumas dracaenaes foram até minha casa vestidas de escoteiras e, logo depois de termos dito — mais ou menos umas sete vezes — que não queríamos biscoitos, elas pareceram ficar meio 'frustradas' e com vontade de, tipo, me devorar por não querer seus cookies — que provavelmente continham alguns inseticidas, só que contra semideuses. Aquele ataque quase resultou na morte de minha mãe e sua família, e foi o que bastou para eu decidir que não estava pronta ainda e que deveria ir embora. Ela não pediu-me para ficar; fiquei realmente em duvida se era porque ela sabia que era o melhor ou se era porque não me queria mais por perto, não depois daquilo. Arrumei tudo e resolvi voltar para Long Island, para o Acampamento. Estava envergonhada por não ter conseguido o que queria, mas de certa forma, feliz por poder voltar. Quase fui morta — algumas vezes — no caminho, mas por fim, consegui chegar ao meu destino, ao único lugar onde estaria segura sendo quem sou. Estava ansiosa pelo que havia mudado, e o que acontecera no tempo em que estive fora. Eu queria me atualizar, me manter informada sobre tudo; para poder continuar escrevendo e deixando a tal marca que todos deixam.

Cheguei no Acampamento às três da manhã, mais ou menos. Péssimo horário, se você sabe o que isso significa; as harpias já deviam estar por aí, checando se todos os semideuses estavam cumprindo o 'toque de recolher'. Minha bagagem não passava de uma mochila de acampamento, por isso, eu não pretendia fazer muito barulho ou algo do tipo. Havia uma adaga em meu cinto; a adaga companheira, como Quíron costumava chamar: a adaga que tem que estar sempre com você, como uma melhor amiga ou um namorado. Com calma, fui me esgueirando por entre as árvores da floresta, procurando manter-me atenta a trilha que se estendia logo a minha direita. Eu nunca gostara daquela floresta, nem mesmo à luz do dia; ela me era aterrorizante e parecia mais macabra ainda quando o sol não se fazia presente. Apertei os dedos ao redor da adaga ao ouvir sons; monstros, as harpias ou, quem sabe, esquilos. Bom, encontrar com nenhum deles me parecia uma boa ideia, então apressei-me mais ainda. Em questão de minutos, eu já estava fora daquele emaranhado de árvores — Graças à Éolo — e dirigindo-me até meu chalé, o vinte e dois; também conhecido como "O Chalé da Gabby", já que só eu o residia. Talvez isso tivesse mudado — embora eu achasse aquilo de ser dona do chalé ótimo, me sentia sozinha —, e eu torcia para que sim. Fui meio escondida em direção ao chalé de Éolo, já sentindo um sentimento de "ah, estou em casa" tomar-me. As formas de bronze, as janelas altas, o ar úmido e mais denso que se encontrava ali... tudo fazia com que eu me sentisse em casa. Puxei o ar profundamente. — Lar, doce lar. — murmurei comigo mesma, apreciando a cabana. Ouvi um barulho próximo, e só então saí daquele 'transe' que me prendia no solo em frente às escadas que levariam-me para o interior de meu chalé; e comecei a subi-las. Não sei se as harpias perdoariam uma semideusa que estava fora da cama e tinha motivos; elas eram conhecidas por não perdoar naqueles casos. Minha mão voou até o trinco da porta, e quando ouvi os passos muito próximos, entrei correndo dentro do chalé e rapidamente fechei a porta. A escuridão era quase total, e aquilo era bastante conveniente, já que não faria ninguém suspeitar de mim; não que as suspeitas não fossem acontecer logo pela manhã, quando eu brotaria "do nada" no lugar. Mas antes dar as explicações pela manhã do que... — Christina? — interrompi meus devaneios ao notar a loira que passava apressada em frente ao meu chalé. No fim, não era uma harpia que eu havia ouvido; e sim, minha amiga filha de Dionísio. E o que faria ela fora da cama? Ela não era conselheira? Se sim, não deveria estar obedecendo as regras ao invés de quebrá-las? — Que estranho. — declarei, desprendendo os ganchos que mantinham minha enorme mochila nas minhas costas. Alonguei-me um pouco — ela era realmente pesada — antes de pegar uma flanela qualquer e sair do chalé, indo até onde Chris estava.

Não foi difícil achá-la. Ela fora para o lugar mais óbvio do Acampamento: a Casa Grande. Estava parada lá, com uma camiseta enorme que cobria-lhe o corpo até um pedaço das coxas e, eu torcia, um shorts jeans curto demais. Seu cabelo loiro estava completamente em pé, o que me fez conter uma risada; a rainha da beleza e boa aparência, desarrumada? Não era algo que se via todo dia. Aproximei-me dela com cuidado, procurando não fazer barulho; queria assutá-la. Quando ergui as mãos para tocar seus ombros, ela pareceu me notar e acabou por frustrar meus planos. Virou-se para mim, e se eu tinha suspeitas de que ela não estava bem, elas não existiam mais: as olheiras fundas e roxas de Christina e sua falta de maquiagem provavam que ela estava em um nível abaixo do "mal". Ignorei o que ela falava, só pegando as palavras "chaves". — Nossa, você está falado palavrões demais! — falei, horrorizada. Ou melhor, fingindo estar horrorizada. Dei um sorriso. — É ótimo te ver, também. Cheguei agora da Carolina do Norte. Estou bem, e inteira, obrigada por perguntar. — proferi, olhando-a ceticamente. Ela pareceu não sentir nada. — E você, o que faz aqui? Quebrando regras, conselheira? Por quê? — questionei-a, levantando uma sobrancelha. Ela deveria ter motivos; sua péssima aparência e seus modos mal-criados indicavam que sim.

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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Qui 30 Jan 2014 - 23:09



Suspirei relaxando a tensão dos ombros quando Gabby começou a tagarelar, como sempre tagarelava, o que me fez perceber que continuava a mesma Gabby de sempre. A mesma Gabby de sempre, quase literalmente, porque sob a fraca luz da lua ela parecia a mesma que havia deixado o acampamento à meses antes: baixinha, magra, dos cabelos escuros jogados ao redor dos ombros. Sua presença de alguma forma me relaxou. Eu sentia sua falta, e sabia que era uma das pessoas que melhor me conhecia ali, então automaticamente eu poderia confiar nela de olhos fechados, e isso foi motivo para esboçar um sorriso ao ve-la. - Sua boba - murmurei enquanto apoiava os braços no parapeito, para que me auxiliasse enquanto descia dali. Caminhei em sua direção e a envolvi num abraço apertado, que a fez resmungar. - Como foi sua aventura, wild girl? Senti sua falta! - disse com um sorriso bobo nos lábios, enquanto a soltava. - Quanto a mim, é claro que estou quebrando as regras. Sabe muito bem que eu não sou nem de longe um exemplo de conselheira, porque não quebraria? E que porra, não to falando palavrão! - exclamei dando de ombros, com um sorriso fraco. Gabby riu da irônia em minha frase, como quem dissesse "Tsc, não mudou nada, Christina". Respirei fundo, me sentando novamente no parapeito, dessa vez de frente para a filha de Éolo que me encarava de braços cruzados, a espera de uma explicação. - Não conseguia dormir - respondi com os ombros encolhidos, encarando o chão. - Não ando tendo bons sonhos, e isso está interferindo drasticamente no rendimento em treinos, e principalmente no meu humor. - disse antes de levantar o olhar para a menina. Ela não parecia satisfeita com as respostas, ou convencida de que tudo estava bem ali, e não seria diferente. Se tinha alguém ali que me conhecia o suficiente para ser capaz de deduzir que nada - principalmente eu - estava bem, esse alguém era a Gabby. - Por mais que não tenha corrido tudo bem durante sua viagem, você teve sorte em sair antes de "tudo" acontecer - comentei fazendo aspas com os dedos. - Algumas coisas aconteceram depois que você partiu - suspirei - Hera apareceu para alguns via sonho, o que talvez tenha sido um pesadelo pior o que eu ando tendo. E no meio disso o Chaz sumiu - contei enquanto encarava o chão. Sabia que o que Gabby diria a seguir teria a ver com o fato de coisas interessantes só acontecerem quando ela não está, porque ela era uma das que mais reclamava de tédio e solidão. - Mas você não foi a única. Tem bastante gente, em sua maioria medrosos, fazendo o mesmo por ai. Todo mundo sabe que não tem coisa boa vindo por ai - falei séria, erguendo os olhos afim de tentar desvendar sua expressão.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Seg 10 Fev 2014 - 21:16

Acompanho a Gabby até o chalé dela e saimos dali.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Dom 23 Mar 2014 - 2:10

Era uma tarde comum como as outras, exceto pelo fato de que eu havia dado uma folga à mim mesma após alguns treinos, e agora estava estava acomodada sobre os cotovelos nos degraus da varanda da casa grande sob o sol na companhia de Karolliny, uma amiga do chalé dois. Não conversávamos sobre nada especificamente além da vida alheia e outros fatos aleatórios, então podia-se dizer que estávamos simplesmente jogando papo fora enquanto víamos campistas aleatórios passando por nós. - Alguém deveria prender aquela garota por estar usando meias como aquelas nesse calor - comentei deixando que os óculos escuros deslizassem pelo meu nariz para que pudesse observar a cena. Karoll riu despreocupadamente, não que eu esperasse que ela concordasse comigo. Apesar de devota de Hera, era filha de Ares, e talvez não ligasse para tanto para aquele tipo de coisa. Suspirei pesadamente e voltei meu rosto em direção a menina. - E então Karoll? O que conta de novo? Faz tempo que não vejo o Leonard com você. Ele está bem? -perguntei com uma careta. Fazia um bom tempo que não via o filho de Quione que costumava andar para cima e para baixo aos beijos com Karolliny.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Zoey M. Ludwing em Dom 23 Mar 2014 - 2:39


O coração de Karolinny martelava com força em seu peito. Ela não sabia o por que, mas ela sabia que logo chegaria um momento em que teria que falar daquilo que mais odiava no mundo. Riu e se divertiu enquanto Christina, sua amiga do chalé 12 sobre moda e jogava pragas nos campistas que se vestiam mal. Ela não podia dizer nada, pois ela mesma estava meio que fora dos conceitos de moda de Christina. A filha de Ares usava uma calça jeans velha, uma blusa do acampamento gasta, seus velhos all stars brancos já imundos pelo tempo de uso e uma jaqueta de couro preta. Seus cabelos estavam presos em um coque mal feito no topo de sua cabeça e a franja mal cortada pela própria Karolinny insistia em cair em seus olhos. Mas como ela temia, o momento chegou. 
- E então Karoll? O que conta de novo? Faz tempo que não vejo o Leonard com você. Ele está bem? - Perguntou a conselheira do chalé 12 inocentemente. O coração de Karolinny se apertou automaticamente e a menina sentiu seus olhos queimarem, mas piscou algumas vezes e forçou as lágrimas a recuarem. Dedilhou o muro da varanda, tentando disfarçar seu nervosismo. 
- Nós terminamos. - Foi tudo o que disse, e Christina se manteve em silêncio, esperando que ela continuasse. Odiava falar sobre isso, mas precisava falar com alguém, e Chris era a pessoa mais confiável que conhecia. - Eu terminei, na verdade. Ele... Ele se apaixonou por outra pessoa. - Disse para a outra loira e forçou um sorriso. - Mas é melhor assim. Eu estava me desligando das minhas responsabilidades pra ficar com ele, isso só me ajudou. - Ela disse confiantemente, mas sabia que não era verdade. E sabia que provavelmente, Chris notaria.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Zoey M. Ludwing em Dom 23 Mar 2014 - 2:42

[size=11.818181991577148]Christina, sua amiga do chalé 12 tagarelava sobre moda*** Sorry, esqueci uma palavrinha aquê.[/size]
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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Dom 23 Mar 2014 - 3:04

Continuei condenando pobres criaturas campistas ao tártaro mentalmente por suas aversões com moda, quando Karoll respondeu à minha pergunta com uma resposta inesperada. Xinguei-me mentalmente por ter tocado naquele assunto, embora não soubesse do ocorrido, então não era minha culpa. De qualquer forma, me arrependi imediatamente por ter tocado no assunto, embora Karolliny insistisse em manter a expressão despreocupada e inabalável. Mas por favor, eu era a conselheira amorosa número um do acampamento e nada passava por mim. Eu sabia que ela estava abalada, e isso me deixava sem ter as palavras certas à dizer, pois um "sinto muito" nunca parece sincero o suficiente nessas horas. Quando estava prestes à perguntar o motivo do término - o que foi a coisa mais prudente que pensei em dizer - Karoll leu meus pensamentos e logo explicou que ele estava com outra pessoa. Ai tudo mudou, inclusive meu estado de espírito. - Como é que é?! - perguntei um pouco alto demais. - Esperai ai! Isso não tá certo não, tem que ver isso ai. Vou falar com o Leonard e a gente vai resolver essa história, nem que seja na força bruta - me exaltei. Um defeito meu? Eu adorava tomar as dores alheia. Não por masoquismo, mas simplesmente detestava ver alguém mal ou injustiçado sem que eu pudesse intervir ou defender. Mas Karolliny rapidamente tratou de defende-lo,  dizendo que era melhor assim. Ao meu ver, a menina costumava esconder o que sentia afim de manter a postura inabalável como uma rocha, e eu via muito de mim nela por isso. - Tem certeza? - fiz uma careta desanimada, e a menina afirmou com a cabeça. Voltei a me sentar ao seu lado, novamente procurando as palavras certas. Não poderia acusa-la de estar mentindo, mas queria saber o que havia acontecido exatamente, assim poderia ajuda-la. - Quer me contar o que aconteceu? - perguntei tentando parecer prestativa.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Zoey M. Ludwing em Dom 23 Mar 2014 - 3:20


Uma lágrima fina escapou do olho esquerdo de Karolinny, que a limpou com rapidez sendo que ninguém percebesse. Deu seu melhor sorriso no estilo "Estou bem, foda-se tudo!" pra amiga. Se debruçou sobre o muro de madeira e apoiou o queixo nos braços. - Não foi nada demais. Ele só encontrou uma garota melhor que eu. - A loira disse, começando a desenhar grandes círculos no chão com o pé direito. - Eu sabia que isso ia acontecer, só não sabia quando. - Murmurou, se endireitando abruptamente e apontando para o próprio corpo. - Quer dizer... Olha pra mim! Quem ia querer uma garota igual a mim? Eu sou uma idiota, era só uma questão de tempo até ele me chutar. - Ela disse e se sentou no muro, arranhando os braços levemente. Outra lágrima intrusa invadiu seu rosto, e desta vez, Christina a viu antes de Karolinny a limpar. A loira mais velha a olhou com desconfiança, esperando que ela falasse. - A verdade é que Leo era o único que tinha o poder de me destruir completamente. Ele me destruiu por dentro. É isso que o amor faz. Ele te leva ao céu e enche você de alegria, até te jogar de lá de cima e esmagar você. - Mais duas lágrimas escaparam, e logo foram limpas. - Se contar a alguém que eu chorei, eu nego tudo. - Ela disse e bufou, tirando os cabelos dos olhos.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Dom 23 Mar 2014 - 22:40

Não demorou para que Karol desistisse de manter as defesas e abrisse seu coração. Eu a escutei atentamente o que dizia, formulando mentalmente alguma coisa boa o suficiente para dizer. - Infelizmente, você tem razão, é o que o amor faz. Mas ele não tinha motivos para fazer isso com você! Não há nada de errado com você, Karol! - argumentei, embora a filha de Ares não pareceu ligar muito para isso. - O que ele fez com você não foi justo, e eu vou falar com ele sobre isso, ok? - disse, mas logo percebi que soei intrometida demais. - Quero dizer... Esse não é o Leonard que eu conheço! Não pode ser... - suspirei enquanto a observava secar as lágrimas discretamente. - Relaxa, ninguém vai saber disso - disse acariciando suas costas, feliz por ter ameaçado a negar, e não me agredir. - Mas se você quer saber, não deveria se envergonhar por isso - dei ombros, notando novamente como eu não era capaz de seguir meus próprios conselhos.  
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Re: Casa Grande

Mensagem por Zoey M. Ludwing em Dom 23 Mar 2014 - 23:00

Karol começou a bater seu pé impacientemente contra o muro de madeira. Respirou fundo e suspirou, deixando que o vento levasse toda a sua mágoa. - Era um direito dele me chutar ou não. Ele quis assim, e não há nada que ninguém possa fazer. - Ela disse confiante, mas logo sentiu seus ombros desabarem em cansaço. Era isso que ela sentia. Cansaço. Estava cansada de mentir, de fingir que era inquebrável, coisa que não era nem de longe. Suspirou novamente e soltou o ar lentamente. - Não fale nada disso com ele, ok? Ainda somos amigos, e eu não quero estragar isso. - Murmurou baixinho para Chris. A filha de Ares não era muito fã de abraços, mas ela sentia que precisava de um. Então tudo o que conseguiu fazer foi enlaçar a amiga com os braços e esconder o rosto em seu pescoço. - Eu sinto falta dele. Isso é tão ridículo vindo de uma filha de Ares, não é? - Perguntou, tentando esconder as lágrimas que queimavam em seus olhos. - Eu sou fraca demais até pra isso.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Qui 27 Mar 2014 - 23:41

Suspirei pacientemente enquanto envolvia Karol num abraço apertado. Era boa para dar conselhos, mas não exatamente para consolos. Como aquela conversa havia chegado à aquele ponto?! Continuava a me xingar mentalmente por ter tocado no assunto, embora não pudesse imaginar que eles não estavam mais juntos. - Isso não é ridículo, Karol. Sentir isso não te faz fraca, só te faz humana por ter sentimentos. Eu a julgaria um brutamontes se não tivesse se sentindo assim, já que o amava... Ou o ama - afaguei suas costas sem solta-la do abraço. Karol secou suas lágrimas delicadamente sem dizer nada, e eu preferi também não tocar no assunto sobre falar com ele, mas Karol não esqueceu. Filhos de Ares não eram muito chegados em longos períodos de afeto como aquele abraço, então não demorou para que a menina se livrasse dos meus braços e me encarasse com aquele olhar assassino, que me alertava que ela me perseguiria até o Tártaro caso eu abrisse a boca. - Relaxa, ninguém vai saber disso - garanti sem prometer. Com toda certeza não contaria a ninguém desse momento da menina, mas não garantia nada quanto falar com o filho de Quione.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Zoey M. Ludwing em Seg 31 Mar 2014 - 0:13



Karol as vezes sentia que lia a mente da loira mais velha, de tão bem que a conhecia. Ela sabia o que a conselheira estava pensando. - Nada de falar disso com ele, Christina. - Ela disse fazendo cara de má. As vezes ela gostava de zoar com a amiga. - Podemos mudar de assunto? - Ela perguntou se recuperando das lágrimas que ainda queimavam seus olhos. - E você, Miss Beleza? Como está a sua vida amorosa? - Perguntou curiosa. Ela sabia dos recentes namoros e decepções amorosas da amiga, e se Chaz tivesse quebrado o coração da loira, Karol iria quebrar os dentes dele.

OBS: Desculpe o post cocô, tô com sono ç.ç
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Re: Casa Grande

Mensagem por Christina R. Lockhart em Qua 16 Abr 2014 - 22:34

Dei de ombros e acenei um "sim" com a cabeça quando Karol perguntou se poderíamos mudar de assunto, que se referia diretamente à minha vida amorosa. - Vai bem - respondi com um sorrisinho bobo. - Embora Chaz tenha saído frequentemente em missões, ele está bem também - suspirei sem esconder as saudades. - Bom Karol, tenho que ir ver se meus irmãos cumpriram as tarefas do dia e tudo mais. Me procura se precisar de alguém pra conversar, está bem? - sorri amigavelmente, enquanto a menina forçava um sorriso e acenava a com a cabeça. - A gente se vê! - sorri e saí dali.
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Re: Casa Grande

Mensagem por April Thomas Gauthier em Seg 16 Jun 2014 - 12:44

Chego ali toda boladona com a vida porque fucking daddy não tinha vergonha na cara quando embuchou mainha e nem tinha aparecido pra mim ainda. Não que eu fizesse tanta questão de ver aquele ser, pois com certeza ninguém merecia ter um retardado como pai que nunca nem sequer tinha aparecido em sua vida. Respirei fundo me agachando ao lado das plantações e peguei um morango bem grande e vermelhinho. Ah, eu era tão gulosa e eu adorava isso em mim. Limpei o morango com a parte de baixo de minha camisa e o abocanhei. O sorriso de satisfação foi inevitável quando o gosto doce e ao mesmo tempo azedo do morango se espalhou por minha boca. - Bem, acho que tudo isso vale a pena o esforço se eu puder vim aqui mais vezes. - Falei de boca cheia e então me deitei no local olhando para o céu limpo e bonito. Será que alguém ia me pegar surrupiando os morangos?
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Re: Casa Grande

Mensagem por Santanna R. McCready em Ter 29 Jul 2014 - 19:41


A filha de Eros observava o acampamento abaixo de si pela janela, como sempre em movimento. Seu cabelo estava prendido em um coque e grandes olheiras se projetavam em seu rosto, se alimentava apenas o suficiente para permanecer viva, a preocupação por sua irmã a consumia. Depois que recebeu a noticia que sua meia-irmã, Soo Hyun, a garota permanecia constantemente em aflição. Sugou o ar lentamente, mas vendo que aquilo não a acalmaria, se levantou e saiu dali.
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Re: Casa Grande

Mensagem por Clarie Brückner Learmonth em Sab 7 Fev 2015 - 13:14

Minha namorada sumira alguns meses antes e uma angustia tomava meu coração por completo. Decidida a sair em missão, levantei da cama e logo já estava pronta para encarar o fuckin' centauro de bobes que comandava o acampamento. Corria como se não houvesse amanhã. Logo já estava em frente a casa grande, batendo constantemente na porta com toda delicadeza dada a mim por Atena, minha mãe. Depois de dez minutos sem resposta, constatei que não havia ninguém ali e dei de ombros, indo em direção ao refeitório. 
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Re: Casa Grande

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